domingo, 16 de abril de 2017

Politeísmo cristão




Por Donizete Vieira
(Do Facebook)

Ário foi um grande teólogo. Ele foi o pivô de uma crise teológica que se instalou na igreja cristã no quarto século, provocando inclusive a necessidade de um concílio para saná-la. O objeto central da discussão: A controversa doutrina da Trindade, cuja essência é a ideia de um único Deus com três identidades, cada qual com sua própria descrição, e a suposta natureza divina de Jesus. Doutrina articulada por Atanásio, que convenceu a maioria dos seus colegas que Jesus Cristo era Deus, enquanto Ário, por sua vez, afirmava que Jesus foi criado em algum momento.

O Concílio, apesar das divergências, visto que pelo menos vinte e oito, de um total de trezentos e dezoito bispos eram arianos, conseguiu deliberar e reconhecer essa sofisticada e intricada construção teológica, a Trindade. No entanto não se esforçaram o suficiente para formular uma defesa convincente contra a acusação de que trinitarismo era politeísmo. Já que, até hoje, tanto islâmicos como judeus, cônscios de que a sublime ambição da trindade é reconverter o politeísmo em monoteísmo, sugerem que ele só é viável se o Espírito Santo for transformado em vácuo e a forte personalidade de Javé for ignorada. Proposta desconsiderada pelos cristãos.

Mas qual é o temor da teologia cristã em renunciar a trindade? Ora, se afirmar que somente Jesus é Deus, isso faz dele um usurpador assim como Zeus usurpou o trono de Cronos, seu pai. Se deliberar que somente javé é Deus, tal proposta destrói todo um sistema salvífico que tem Jesus como figura central. A única saída, portanto, é fazer manutenção de uma doutrina ininteligível, inexplicável. Misteriosa.

sábado, 15 de abril de 2017

A Lava Jato e a Páscoa brasileira




Incrível como que as notícias sobre a "Lista de Fachin", referente às delações dos executivos da empreiteira Odebrecht na Operação Lava Jato, têm tomado conta dos nossos telejornais. Se antigamente as reportagens desta época mostravam mais as procissões sacras pelas cidades e demais eventos da Semana Santa, eis que, em 2017, os acontecimentos da vida cultural e religiosa do povo brasileiro estão sendo tratados como algo secundário depois que toda a podridão de alguns depoimentos guardados em sigilo passou a ser exposta nos horários mais nobres da TV. 

Ao que parece, a Globo e outras emissoras estariam focalizando mais no assunto da corrupção do que os usuários das redes sociais onde vejo as postagens diversificando-se em que, por exemplo, muitos internautas preferem lembrar do martírio de Jesus, exibir fotos de suas viagens, comentar sobre piadas, etc. Daí fico a indagar se, nesses três anos de investigações (a Lava Jato iniciou-se em 17/03/2014), a população já não se sentiria agora saturada com tantas notícias ruins sendo continuamente vomitadas a ponto de muitos até trocarem de canal quando o apresentador William Bonner passa a falar das revelações dos depoimentos e das novas prisões.

Entretanto, por mais que a televisão possa estar potencializando um tipo de informação em detrimento das demais, tento ver algo de útil nisso tudo e estabelecer uma conexão da Lava Jato com a Páscoa, a qual muitos comemoram sem saber do que se trata. Pois, afinal, o significado cultural dessa época não tem a ver com a ingestão dos deliciosos chocolates ou menos ainda com a figura de um coelhinho que trás os ovos para a criançada na madrugada de sábado para domingo. Antes de mais nada, estamos falando de uma tradição de origem judaica e que foi re-significada pelo cristianismo em relação à morte de Jesus de Nazaré.

Como se sabe, o Pessach, que é a "Páscoa judaica", celebra a libertação dos hebreus da escravidão egípcia sob o comando de Moisés. De acordo com a tradição, cujo relato encontra-se muito bem narrado no segundo livro da Bíblia (Êxodo), a primeira festa dos israelitas teria ocorrido há mais de três mil anos, quando Deus enviou ao Egito dez "pragas" contra os opressores. Antes do décimo castigo, cada família hebreia foi instruída para que sacrificasse um cordeiro e molhasse os umbrais das portas de suas casas com o sangue do animal, a fim de que, quando o anjo passasse, os seus filhos mais velhos não fossem acometidos pela morte. Assim, depois que Deus feriu todos os primogênitos egípcios (desde as primeiras crias dos animais até os da família do Faraó), o rei, por temer a ira divina, concordou em liberar o povo de Israel para a adoração no deserto, o que levou a uma saída definitiva do país. Logo, como uma recordação desse evento mítico, ficou instituído para todas as gerações seguintes o sacrifício pascal.

Por sua vez, o Novo Testamento ensina que a ressurreição de Jesus, também celebrada pela Páscoa, seria o fundamento da fé cristã. Diz a primeira epístola de Pedro que Deus regenerou a humanidade para uma viva esperança pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos (1ª Pe 1:3). Com isso, os cristão são espiritualmente ressuscitados com Cristo a fim de que possam ter uma nova vida. Aliás, a este respeito, o apóstolo Paulo também escreveu dando as seguintes advertências à Igreja em Corinto:

"Livrem-se do fermento velho, para que sejam massa nova e sem fermento, como realmente são. Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado. Por isso, celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da perversidade, mas com os pães sem fermento da sinceridade e da verdade." (1ª Co 5:7-8)

O que podemos entender acerca da Páscoa é que ela nos traz a ideia de renovação e aí, se pensarmos em política, isso diz muita coisa. Ou seja, vejo todos esses acontecimentos reveladores da Lava Jato como um convite para passarmos do velho para o novo, superando de vez esse nosso passado vergonhoso de uma escravizante corrupção para um relacionamento libertador entre o cidadão e o Poder Público.

Ora, quando falo em renovação, meus amigos, não me refiro apenas em mudarmos os nomes dos políticos, tipo colocar no Legislativo e no Executivo pessoas sem envolvimento com a Lava Jato apenas. Defendo é a eleição de homens e mulheres verdadeiramente íntegros, sem nenhuma vinculação com o "fermento antigo", ressaltando também a necessidade de não darmos mais um apoio aos candidatos que esteja condicionado a benefícios pessoais nos quais os políticos possam nos favorecer em troca. Pois é justamente isso que tanto enfraquece o mandato de um parlamentar vitorioso que, uma vez empossado, fica impossibilitado de lutar por propostas mais nobres porque se encontra comprometido a, por exemplo, empregar os seus principais colaboradores de campanha na ocupação dos cargos comissionados num governo.

Não podemos negar, queridos, que, assim como os políticos, a sociedade também se acha corrompida desde a sua base. Ontem mesmo a Globo mostrou o delator Henrique Valadares declarando que deu dinheiro a índios, policiais e sindicalistas por causa de obras feitas por sua empresa em Rondônia. Isto teria sido feito para evitar problemas na construção das hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau. Segundo ele, os sindicalistas "cobravam pedágios mensais" à Odebrecht para "não apoiarem greves, atos de violência, esse tipo de coisa".

Sendo assim, há que se dar um novo significado à nossa Páscoa! Pois, se bem pensarmos, do que adianta assistirmos todos os anos aquelas procissões e encenações típicas que rememoram a morte de Cristo se nada de bom que as Escrituras ensinam é posto em prática pela nação?! Logo, considero até apropriado que possamos ver diante dos nossos olhos toda essa podridão agora para que amanhã sejamos capazes de estabelecer uma renovação do nosso pacto republicano de uma maneira consciente, madura e verdadeiramente arrependida dos pecados que são coletivamente cometidos até hoje.

Certamente que a Páscoa não é e nem será algo instantâneo na vida de uma pessoa ou de um povo. Ela inaugura um processo histórico dialético com seus avanços e recuos, tratando-se de uma marcha que termina por seguir em frente no passar das eras, acompanhando uma espiral evolutiva. Por isso, precisamos dessa passagem libertadora que nos conduza a uma nova política na qual os valores éticos possam prevalecer e haja uma maior transparência juntamente com a participação social dos cidadãos.

Para concluir, quero amanhã poder degustar, mesmo simbolicamente, o produto da foto ilustrativa lançado pela Casa de Chocolates Schimmelpfeng, o qual seria um ovo de chocolate no sabor "moroango", em referência ao sobrenome do magistrado que julga casos da Operação Lava Jato - o juiz Sérgio Moro. E embora a chocolateria não pretenda tomar partido de nenhuma questão ideológica nesse momento político do Brasil, mas tão somente prestar uma homenagem a um profissional que se tornou nacionalmente célebre pelo cumprimento de seu papel, é com muito gosto que dou significado a esse novo doce. Adoto-o, pois como um símbolo para a Passagem que necessitamos empreender em nossa caminhada histórica rumo a um desejado futuro que "mana leite e mel", quando o brasileiro finalmente poderá desfrutar de bons serviços prestados pelo Estado bem como orgulhar-se de seu país, além dos vitoriosos jogos da seleção de futebol.

Portanto, desejo uma feliz Páscoa a todos e viva Sérgio Moro.


OBS: Texto publicado originalmente em meu blog (clique AQUI para acessar), sendo que a foto acima foi extraída de http://www.erickvidigal.com.br/empresa-lanca-ovo-de-pascoa-de-moroango-para-homenagear-juiz-da-operacao-lava-jato/

domingo, 12 de março de 2017

O REINO

Por Guiomar Barba.
(Do Facebook em 12.03.2017)

O meu Reino não é daqui deste mundo apodrecido.
No meu reino não existem sucessores, nem urnas.
Todos, sem disputas, serão reis e sacerdotes.
Haverá uma única comunidade, a dos santos.

Não existirá os gases da inveja, da cobiça.
Os escolhidos são os refugos deste reino terreno.
Pobres, desprezados, mas que foram ricos em fé,
Estes, não usaram o amor de Deus como máscara.

A justiça sofredora não morrerá com os humildes,
Mas resplandecerá através de linho puríssimo
Que não representa luxo, mas as boas obras
Daqueles que imitaram o caminhar de Jesus.

O meu Reino não surgiu de riquezas corruptas
Mas do amor que crucificou sua glória, seu poder.
Que se entregou a um espetáculo inaudito,
Ao tosquio com gosto de sangue e de fel.

No meu Reino estarão os que morreram comigo,
Ressuscitando em Mim para as boas obras.
E aqueles que conduziram muitos à justiça
Reinarão comigo, no Reino do nosso Pai.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

"A avenida nos espera!"

Por Hermes C. Fernandes
(extraído do Facebook)

"Não porei coisa má diante dos meus olhos" (Salmos 101:3). Este foi o versículo bíblico usado por um tele-pastor que aproveitava o carnaval para convencer sua audiência a fazer a assinatura de seu canal. Outros se aproveitam da época para promover retiros que custam até um salário mínimo. Longe da TV e das ruas, os fiéis seriam mantidos guardados do pecado. Será? Há quem ensine que ao permitir que tais "coisas más" entrem nossa casa, estaríamos dando "legalidade" a todo tipo de espíritos malignos. Alguma base bíblica sólida para isso? Não!

Parafraseando Jesus, se nossos olhos forem bons, tudo será luz, mas se forem maus, estaremos em maus lençóis. Para Paulo, "todas as coisas são puras para os puros" (Tt.1:15). O mal não está na avenida! O mal está em nós, em nossa presunção, em nossos falsos escrúpulos, em nosso moralismo exacerbado. Portanto, se não para por coisa má diante dos nossos olhos, nunca mais nos olhemos no espelho. A recomendação de Paulo é que examinemos de tudo, mas retenhamos somente o que for bom (1 Tessalonicenses 5:21).

Afinal, haveria algum problema em assistir ao desfile das escolas de samba? Estou convencido que não. Cabe a cada um examinar sua própria consciência e verificar se isso lhe convém ou não. Afinal, "todas as coisas nos são lícitas, mas nem todas nos convém". O que convém a um, nem sempre convém ao outro. Porém, aquele que assiste, não deve condenar o que não assiste e vice-versa.

Outra questão: e se tomássemos o desfile do Carnaval como analogia de nossa caminhada cristã? Certamente, a maioria discordará com veemência. Afinal de contas, o Carnaval é a festa pagã por excelência, onde, além de toda promiscuidade, entidades pagãs são homenageadas. Eu poderia gastar muitas linhas tecendo críticas justas a esta festa em que tantas famílias são desfeitas, e inúmeras vidas destruídas. Porém hoje, quero pegar a contramão.

Por que será que os cristãos sempre enfatizam os aspectos ruins de qualquer manifestação cultural? Se vivêssemos nos tempos primitivos da igreja cristã, como reagiríamos ao fato de Paulo tomar as Olimpíadas como analogia da trajetória cristã neste mundo? Ora, os jogos olímpicos celebravam os deuses do Olimpo. Portanto, era uma festa idólatra. Os atletas competiam nus. Sem contar as orgias e os sacrifícios que se seguiam às competições. Sinceramente, não saberia dizer qual seria pior, as Olimpíadas ou o Carnaval. Porém Paulo soube enxergar alguma beleza por trás daquela manifestação cultural. A disposição dos atletas, além do seu preparo e empenho, foram destacados pelo apóstolo como virtudes a serem cultivadas pelos seguidores de Cristo.

E quanto ao Carnaval? Haveria nele alguma beleza, alguma virtude que pudesse ser destacada do meio de tanta licenciosidade? Acredito que sim. Embora jamais tenha participado, talvez por ter nascido em berço evangélico tradicional, posso enxergar alguma ordem no meio do caos carnavalesco.

Destaco, em primeiro lugar, a criatividade dos foliões, principalmente dos carnavalescos na composição das fantasias, dos carros alegóricos, e do samba-enredo. É notória sua busca pela perfeição. Diz-se que o desfile do ano seguinte começa a ser preparado quando termina o Carnaval. É, de fato, um trabalho árduo que demanda muito empenho. Se houvesse por parte de muitos cristãos uma parcela da dedicação encontrada nos barracões de Escolas de Samba, faríamos um trabalho muito mais elaborado para Deus. Buscaríamos a excelência, em vez de nos contentar com tanta mediocridade. Tomemos por exemplo as composições musicais. Basta ouvir algumas estrofes para perceber o trabalho de pesquisa que envolve a composição de um samba-enredo. Sem contar as rimas ricas, as melodias marcantes, e a ousadia criativa das baterias. Enquanto isso, composições que visam louvar a Deus estão cada vez mais pobres, tanto do ponto de vista melódico, quanto do ponto de vista lírico. Não aguento mais temas repetitivos, tais como chuva, fogo, anjos e etc.

O desfile começa com a concentração. É ali que é dado o grito de guerra da Escola, seguido pelo aquecimento dos tamborins. A concentração equivale à congregação. Nosso lugar de culto (comumente chamado de “templo” ou “igreja”) é onde nos concentramos e aquecemos nosso espírito. Porém, a obra acontece lá fora, “na avenida” do mundo.

Gosto quando Paulo fala que somos conduzidos por Cristo em Seu desfile triunfal. O apóstolo compara a marcha cristã pelo mundo às paradas triunfais promovidas pelo império romano. Era um espetáculo cruento, no qual os presos eram expostos publicamente, acorrentados e arrastados pelas ruas da cidade. Era assim que Roma exibia sua supremacia, e impunha seu poder. Paulo toma emprestada a figura deste majestoso e horroroso evento para afirmar que Cristo está nos exibindo ao Mundo como aqueles que foram conquistados por Seu amor.

Muitos cristãos acreditam ingenuamente que a guerra se dá na concentração. Por isso, a igreja atual é tão ensimesmada, isto é, voltada para dentro de si. Ela passou a ver-se como um fim em si mesmo.

A avenida nos espera!

Encabeçando o desfile vai a comissão de frente, seguida pelo carro abre-alas. Compete aos componentes dessa comissão a primeira impressão. A comissão de frente da igreja de Cristo é formada pelos que nos precederam, que abriram caminho para as novas gerações. Não podemos permitir que caiam no esquecimento. Também são os missionários, que deixam sua pátria para abrir caminho em outros rincões. Grande é sua responsabilidade, e alto é o preço que se dispõem a pagar para que o Evangelho de Cristo chegue à populações ainda não alcançadas. Paulo fazia parte da comissão de frente da igreja primitiva. Escrevendo aos Coríntios, ele diz que sua missão era“anunciar o evangelho nos lugares que estão além de vós, e não em campo de outrem” (2 Co.10:16). Em bom português, o apóstolo dos gentios preferia pescar em alto mar, e não no aquário dos outros.

A Escola de Samba é dividida em alas, cada uma com fantasias e carro alegórico próprios. Porém, o samba-enredo é o mesmo. O que é cantado lá na frente, é sincronicamente cantado na última ala da Escola. A voz do puxador do samba, bem como a batida harmoniosa da bateria, ecoando por toda a avenida, garantem esta sincronia. Não pode haver espaços vazios entre as alas. Há harmonia até nas cores das fantasias. Ninguém entra na avenida vestido como quiser. Imagine se as variadas denominações que compõem o Corpo Místico de Cristo se relacionassem da mesma maneira, respeitando cada uma o espaço da outra, porém dentro de uma evolução harmoniosa.

No meio do desfile encontramos o casal formado pelo mestre-sala e pela porta-bandeira. Eles exibem orgulhosamente o pavilhão da Escola. Seus gestos e passos são cuidadosamente combinados, para que a bandeira receba as honras devidas. É triste verificar o quanto a bandeira do Evangelho tem sido chacoalhada, pois os que a deveriam ostentar, são os primeiros a desonrá-la com seu mal testemunho. Enquanto que os cristãos primitivos se dispunham a pagar com a própria vida para que seu testemunho de fé fosse validado e o nome de Cristo fosse honrado.

Ao término do desfile chega o momento da dispersão. É hora de partir, levando a certeza de que todos deram o melhor de si. Alguns saem machucados, com os pés sangrando, com as forças exauridas. Mas todos saem alegres, esperançosos de que sua escola seja a campeã. Aprenderam a sublimar a dor enquanto desfilam. Ignoram o cansaço. Vencem os limites do seu corpo. Tudo pela alegria de ver sua escola se sagrando campeã. Mas no fim, chega a hora de tirar a fantasia, descer dos carros alegóricos, cuidar das feridas nos pés. Mesmo assim, ninguém reclama. Todos exibem no rosto um sorriso de contentamento.

Semelhantemente, todos estamos a caminho do fim do desfile. O momento da dispersão está chegando, quando deixaremos este corpo, nossa fantasia, e seremos saudados pela Eternidade. Que diremos nesta hora? Não haverá novos desfiles. Terá chegado o fim de nossa trajetória? Não! Será apenas o começo de uma nova fase existencial. Deixaremos nossas fantasias, para nos revestirmos de novas vestes celestiais. Falaremos como Paulo em sua carta de despedida a Timóteo:

“...o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (2 Tm.4:6b-8).

Aproveitemos os instantes em que estamos na avenida desta vida, celebremos a verdadeira alegria, infelizmente ainda desconhecida por muitos foliões, e que não terminará em cinzas.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Um movimento que abalou o rei

"(...) o tetrarca Herodes soube de tudo o que se passava e ficou perplexo (...)" - Lucas 9:7; ARA


Um dos ingredientes do sucesso ministerial do Senhor Jesus foi ter apostolado (enviado) os discípulos para anunciarem as boas novas do Reino de Deus pelas aldeias e cidades de Israel. No capítulo 9 de Lucas, o autor fala de um tipo de estágio que aqueles primeiros seguidores fizeram ainda na companhia do Mestre, os quais deveriam imitar tudo aquilo que o Salvador já vinha fazendo anteriormente: curas, libertação do assédio espiritual maligno e a pregação do Evangelho (versos 1 e 2).

Deve-se observar que Jesus, o maior visionário de todos os tempos, estava criando um movimento de base popular capaz de incendiar o mundo pela mensagem transformadora do Evangelho. Movimento este que não necessitava de recursos financeiros, nem de uma sede fixa, inscrição no CNPJ do Ministério da Fazenda,, gráficas para a impressão de livros e tão pouco das redes sociais da internet. Os discípulos deveriam carregar o mínimo que necessitavam utilizar, dependendo exclusivamente da Divina Providência:

"E disse-lhes: Nada leveis para o caminho: nem bordão, nem alforje [bolsa de viagem], nem pão, nem dinheiro; nem deveis ter duas túnicas" (verso 3)

Notem que o escritor de Lucas foi propositalmente mais radical do que a orientação registrada no 2º Evangelho, no qual foi permitido levar ao menos um bordão (Mc 6:8). Penso que o autor sagrado, por causa de uma necessidade contextual de seus dias, pretendeu ressaltar a leveza da bagagem do discípulo comissionado. Não só para que eles alcançasse m uma maior disponibilidade para viajar como também desenvolvessem a fé pois, certamente, precisariam transmitir confiança aos seus ouvintes.

Assim como Jesus não centralizou o ministério que desempenhou na sua pessoa, o apóstolo itinerante seguiria o mesmo exemplo quando se colocasse a caminho. Em qualquer comunidade para onde fossem, fariam de uma casa de moradia o ponto de apoio para iniciarem a obra missionária. Teriam que contar com a hospitalidade alheia e, assim, desta relação bem próxima entre hóspede e anfitrião, seriam lançadas as primeiras sementes do Reino no local.

Embora o discípulo enviado também se dirigisse às multidões, ele teria a oportunidade de apresentar uma outra dimensão do Reino a uma família no abrigo acolhedor de um lar. Juntos com os anfitriões eles fariam refeições comendo à mesma mesa, compartilhariam algo de suas vidas, conheceriam os conflitos domésticos e participariam de alguma forma do drama da comunidade bem no interior da célula do tecido social. Quem os recebesse sob seu teto, ganharia um aprendizado de valor inestimável, sendo que o próprio discípulo aprenderia também.

Entre tantas famílias existentes numa cidade, os apóstolos só poderiam escolher uma só casa onde deveriam permanecer até partirem do lugar (verso 4). A meu ver, isto era uma estratégia e tanto do Mestre pois, através da obra feita num lar, o movimento do Reino iria desenvolver-se apoiado numa estrutura essencialmente humana onde o relacionamento interpessoal ocorre com maior intimidade.

O Evangelho não foi pregado para ser vivenciado somente em templos onde ninguém reside e onde o encontro entre as pessoas apresenta-se como algo distinto da realidade delas. O que assistimos muitas das vezes nas reuniões dominicais das igrejas é mais uma vida de aparência. Cuida-se, na verdade, de mais um programinha de caráter religioso em que cada qual veste a sua máscara de santidade. Terminada a missa/culto/sessão/palestra, todos retornam aos seus comportamentos superficiais de sempre, sem maiores envolvimentos espirituais entre si.

A figura da casa, e nunca o prédio de uma igreja, é que deve representar o movimento de Jesus em nossas mentes como um ideograma. A reunião das pessoas em templos só se justifica pela necessidade de um auditório e de se desenvolver outras atividades que precisem de espaço coberto. Só que tais locais em si mesmos não têm a essência de um cristianismo autêntico e verdadeiro e jamais serão extensões de uso pois é no ambiente familiar e inclusivo que as coisas precisam acontecer. A Igreja com "i" maiúsculo é uma realidade viva correspondente a uma enorme família presente no seio da comunidade onde se encontra estabelecida.

Contudo, seria possível que, ao chegarem numa cidade ou aldeia, os apóstolos de Jesus não fossem recebidos por ninguém. Numa época em que a hospitalidade ainda fazia parte dos costumes, deixar de acolher um pregador das boas novas talvez significasse mais do que indiferença pela condição vulnerável de um viajante e expressava um sentimento de repúdio à mensagem anunciada. Em resposta, Jesus orienta os seus discípulos a sacudirem a poeira dos pés "em testemunho" (verso 5).

Mas afinal, que costume era este? E por que os apóstolos deveriam agir assim?

Certamente que as pessoas daquela época entenderiam o recado e o motivo pelo qual os discípulos deveriam proceder daquela maneira publicamente. Nos tempos de Jesus, quando um judeu peregrino vinha da diáspora, era comum sacudir os calçados antes de entrar no território sagrado de Israel. Era como se eles estivessem se libertando da terra impura de onde tinham vindo para poderem pisar no solo da Terra Prometida.

No entanto, vejo no ato simbólico dos discípulos uma nova chance para a comunidade refletir e se abrir para as boas novas do Reino. Tratava-se de lembrar as pessoas de que a conduta delas não seria condizente com a pertença ao povo de Deus. Logo, quando o apóstolo vai ter que ir embora, por não ter sido recebido/escutado, sacudir a poeira não seria nenhuma expressão de desprezo ou de vingança.

Sem dúvida que aquele movimento incendiou a Galileia e deixou o rei Herodes bem preocupado. Ele que antes havia mandado decapitar João Batista, agora enfrentava algo muito mais forte e ameaçador para os seus interesses. Da maneira eficiente como Jesus estruturou a revolução do Reino seria impossível os governos do mundo conterem aquele novo processo histórico simplesmente apagando os líderes. Teriam que exterminar comunidades inteiras! Pois se tratava de um trabalho discipular que, aos olhos dos poderosos, multiplicava-se incontrolavelmente longe das portas dos palácios e dos templos sem a dependência de seus recursos econômicos.

Teria João ressuscitado dentre os mortos?

De certa maneira, sim. Os apóstolos eram agora vários clones do profeta que estavam surgindo naqueles povoados de Israel. A energia dos pregadores vinha da fé no Deus vivo e eles transmitiam isso às comunidades por onde passavam. Era mais fácil para eles organizarem-se a partir das casas das famílias humildes, lugares onde  os reis e os nobres não frequentavam porque amavam o luxo dos palácios. Parecia até que o profeta Elias tivesse retornado e voltado a caminhar nas estradas vestido com pele de cabra.

Se nos tempos de Acabe o perverso monarca de Israel não conseguiu achar Elias, também Herodes precisaria esforçar-se para ver se conseguiria encontrar Jesus (verso 9). Nosso Salvador também levava uma vida simples junto com seus discípulos e seus interesses não eram os mesmos daquele inescrupuloso governante. O Mestre não tinha nada a ver com os pseudo-evangelistas midiáticos do presente com seus carrões do ano, templos suntuosos e até aeronaves.

Na sequência da narrativa, isto é, no episódio da primeira multiplicação dos pães, Jesus vai continuar ensinando os discípulos a tarefa de anunciar as boas novas do Reino executando-as. Nos arredores de Betsaida, eles aprenderão a alimentar a alma das multidões, dando eles mesmos de comer (verso 13). Ao contrário dos reis que eram alimentados e servidos pelos impostos do povo, caberá ao apóstolo fazer o inverso.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Pessoas que ficam deprimidas no Natal




Embora eu já tivesse compartilhado esta mensagem há exatos três anos atrás em meu blogue pessoal, senti no coração o desejo de republicá-lo aqui. Isto porque continuo encontrando pessoas deprimidas na atual época do ano, o que novamente chamou a minha atenção por estes últimos dias.

Por que num período festivo desses alguém se sente tão mal a ponto de, por exemplo, trancar-se num quarto ou afogar a cara num copo de bebida alcoólica?

Qual a razão do Natal ser uma data tão difícil para alguns e, ao mesmo tempo, uma celebração maravilhosa para outros?

Pessoas que são muito alegres, ou mais ligadas à religião, como é o meu caso, costumam se chocar quando se deparam com casos assim e, por isso, têm dificuldades para compreender a dor do outro. Recordo que, quando ainda morava na cidade serrana de Nova Friburgo, no centro-norte do estado do Rio de Janeiro, estranhava o fato de muitos jovens passarem o resto da madrugada do dia 25 num evento secular chamado Rock Noel. Tão logo terminavam a ceia natalina, eles se dirigiam para a tal balada que, durante anos seguidos, foi realizada no tradicional Nova Friburgo Country Clube.

Contudo, os encontros do Natal, quase sempre estabelecidos pela moral social, expõem a falência dos relacionamentos em muitas famílias da nossa sociedade. O momento faz com que, ao rever o parente, alguns acabem se recordando de traumas passados em relação a pai, mãe, irmãos, avós, tios, padrasto e madrasta, bem como os sogros e cunhados. Então, inconscientemente, há quem busque na droga da bebida um tipo de anestesia para suportar o momento sendo que, não raramente, a convivência indesejada acaba resultando em brigas violentas e boletins de ocorrência policial. E, neste sentido, os que trocam o lar por uma noitada na boate estariam encontrando um meio de escaparem do assédio provocado pelo familiar que nem sempre sabe conviver respeitando as escolhas e o modo de ser do outro.

Quem sou eu para julgar e condenar meu próximo?! Prefiro procurar entender do que jogar pedra. Mas da mesma maneira como existe gente que se sente mal por estar em família, outros se deprimem porque já não possuem mais a companhia dos seus parentes que partiram. É o que costumo verificar entre os mais idosos de modo que o Natal faz com que velhinhos solitários se lembrem do antigo mundo que tinham num período passado. Mostram assim certa dificuldade em lidar com o perecimento formal das coisas e em se fixarem no que é eterno.

Finalmente, resta considerar os que gastam quantias bem elevadas para o padrão econômico que têm e acabam ficando frustrados bem como endividados. Deixam-se levar pelo comportamento consumista perdulário e a aquisição de bens acaba não proporcionando a felicidade que tanto desejam achar. Esquecem, porém, de procurar dentro de si, em suas consciências, pois é muito mais cômodo qualquer um se iludir achando que a fonte de águas vivas esteja no carro novo ou na TV de plasma com alta resolução.

Creio, meus amigos, que as pessoas estão se esquecendo facilmente do verdadeiro sentido do Natal que está em Jesus Cristo. Lendo a Bíblia, verificamos que a vinda do Salvador ao mundo foi motivo de grande alegria e de louvor a Deus! Quando os pastores receberam o anúncio do anjo do Senhor, este assim proclamou:

"Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo; é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor" (Lc 2:10-11; ARA)

Também o coro celestial entoou esta bênção no verso 14 do mesmo capítulo 2º de Lucas:

"Glória a Deus nas maiores alturas,
paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem."

Quando colocamos Cristo nas nossas vidas, podemos encarar as festividades do Natal e todos os demais momentos numa outra perspectiva. Com Cristo, passamos a perdoar e também reeditar as memórias ruins lidando melhor com o passado. O outro já não é mais visto como o nosso adversário e, sim, como um ser humano carente de Deus. Uma ovelha que, como nós, está buscando chegar ao aprisco do qual se perdera. Então, se vamos a uma celebração natalina na casa de alguém, fazemos isso como uma tarefa missionária. O foco passa a ser alcançar vidas e não a nossa própria curtição.

Igualmente a ausência física das pessoas queridas já não é mais fonte de tristezas porque passamos a enxergar a existência pelo ângulo multidimensional da eternidade. Podemos amadurecer, enterrar nossos pais, envelhecer e sofrer uma perda tipo a partida prematura de um filho ou do cônjuge amado. Só que nada disso deve ser motivo de infelicidade pois a realização plena de cada um de nós encontra-se em nosso Criador. É o que aprendemos com Cristo que soube fazer de Deus o seu Pai.

Embora já tenha desejado a todos os leitores nas redes sociais os meus votos de feliz Natal, reitero aqui esse desejo já expresso. Acrescento um forte abraço a todos vocês e que tenham momentos de muita paz, muita luz e experimentem o amor de Deus no final deste ano e no decorrer de 2017.


OBS: Foto extraída de uma página do jornal Tribuna do Norte com atribuição de autoria a Alex Régis conforme consta em http://tribunadonorte.com.br/noticia/christmas-blues-a-depressao-natalina/206998

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Deus Está Sendo Usado para Encobrir Lavagem de Dinheiro Público




Deus está sendo usado para encobrir lavagem de dinheiro público

Tudo o que é sadio pode ficar doente. Também as religiões e as igrejas. Hoje particularmente assistimos a doença do fundamentalismo contaminando setores importantes de quase todas as religiões e igrejas, inclusive da Igreja Católica. Há, às vezes, verdadeira guerra religiosa. Basta acompanhar alguns programas religiosos de televisão especialmente, de cunho neopentecostal, mas não só também de alguns setores conservadores da Igreja Católica para ouvir a condenação de pessoas ou de grupos, de certas correntes teológicas ou a satanização das religiões afro-brasileiras.
A expressão maior do fundamentalismo de cunho guerreiro e exterminador é aquele representado pelo Estado Islâmico que faz da violência e do assassinato dos diferentes, expressão de sua identidade.
Mas há um outro vício religioso, muito presente nos meios de comunicação de massa especialmente na televisão e no rádio: o uso da religião para arrebanhar muita gente, pregar o evangelho da prosperidade material, arrancar dinheiro dos fregueses e enriquecer seus pastores e auto-proclamados bispos. Temos a ver com religiões de mercado que obedecem à lógica do mercado que é a concorrência e o arrebanhamento do número maior possível de pessoas com a mais eficaz acumulação de dinheiro líquido possível.
Se bem repararmos, para a maioria destas igrejas mediáticas, o Novo Testamento raramente é referido. O que vigora mesmo é o Antigo Testamento. Entende-se o porquê. O Antigo Testamento, exceto os profetas e de outros textos, enfatiza especialmente o bem estar material como expressão do agrado divino. A riqueza ganha centralidade. O Novo Testamento exalta os pobres, prega a misericórdia, o perdão, o amor ao inimigo e a irrestrita solidariedade para com os pobres e caídos na estrada. Onde que se ouve, até nos programas católicos, as palavras do Mestre: "Felizes vocês, pobres, porque de vocês é o Reino de Deus"?
Fala-se demais de Jesus e de Deus, como se fossem realidade disponíveis no mercado. Tais realidades sagradas, por sua natureza, exigem reverência e devoção, o silêncio respeitoso e a unção devota. O pecado que mais ocorre é contra o segundo mandamento:"não usar o santo nome de Deus em vão". Esse nome está colado nos vidros dos carros e na própria carteira de dinheiro, como se Deus não estivesse em todos os lugares. É Jesus para cá e Jesus para lá numa banalização desacralizadora irritante.
O que mais dói e verdadeiramente escandaliza é usar o nome de Deus e de Jesus para fins estritamente comerciais. Pior, para encobrir falcatruas, roubo de dinheiro público e de lavagem de dinheiro. Há quem possui um empresa cujo título é "Jesus". Em nome de "Jesus" se amealharam milhões em propinas, escondidas em bancos estrangeiros e outras corrupções envolvendo bens públicos. E isso é feito no maior descaramento.
Se Jesus estivesse ainda em nosso meio, seguramente, faria o que fez com os mercadores do templo: tomou o chicote e os pôs a correr além de derrubar suas bancas de dinheiro.
Por estes desvios de uma realidade sagrada, perdemos a herança humanizadora das Escrituras judeo-cristãs e especialmente o caráter libertador e humano da mensagem e da prática de Jesus. A religião pode fazer o bem melhor mas também pode fazer o mal pior.
Sabemos que a intenção originária de Jesus não era criar uma nova religião. Havia muitas no tempo. Nem pensava reformar o judaismo vigente. Ele quis nos ensinar a viver, orientados pelos valores presentes em seu sonho maior, o do Reino de Deus, feito de amor incondicional, misericórdia, perdão e entrega confiante a um Deus, chamado de "Paizinho" (Abba em hebraico) com características de mãe de infinita bondade. Ele colocou em marcha a gestação do homem novo e da mulher nova, eterna busca da humanidade.
Como o livro dos Atos dos Apóstolos o mostra, o Cristianismo inicialmente era mais movimento que instituição. Chamava-se o "caminho de Jesus", realidade aberta aos valores fundamentais que pregou e viveu. Mas na medida em que o movimento foi crescendo, fatalmente, se transformou numa instituição, com regras, ritos e doutrinas. E aí o poder sagrado (sacra potestas) se constituíu em eixo organizador de toda a instituição, agora chamada Igreja. O caráter de movimento foi absorvido por ela. Da história aprendemos que lá onde prevalece o poder, desaparece o amor e se esvai a misericórdia. Foi o que infelizmente aconteceu. Hobbes nos alertou que o poder só se assegura buscando mais e mais poder. E assim surgiram igrejas poderosas em instituições, monumentos, riquezas materiais e até bancos. E com o poder a possibilidade da corrupção.
Estamos assistindo a uma novidade que cabe saudar: o Papa Francisco nos está resgatando o Cristianismo mais como movimento do que como instituição, mais como encontro entre as pessoas e com o Cristo vivo e a misericórdia ilimitada que a férrea disciplina e doutrina ortodoxa. Ele colocou como Jesus, a pessoa no centro, não o poder, nem o dogma, nem o enquadramento moral. Com isso permitiu que todos, mesmo não se incorporando à instituição, podem se sentir no caminho de Jesus na medida em que optam pelo amor e pela justiça.


Postado nesse recanto em 21/12/2016 por Levi B. Santos www.levibronze.blogspot.com